Desmistificando Polícia Comunitária

Robert Trojanowicz no livro “Policiamento Comunitário: Como Começar”
procura mostrar as interpretações errôneas sobre o que não é Policiamento
Comunitário:
a. Policiamento Comunitário não é uma tática, nem um
programa e nem uma técnica – não é um esforço limitado para
ser tentado e depois abandonado, e sim um novo modo de
oferecer o serviço policial à comunidade;
27 Op. Cit. p.05.
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SENASP
b. Policiamento Comunitário não é apenas relações públicas –
a melhoria das relações com a comunidade é necessária porém
não é o objetivo principal, pois apenas o “QSA” não é suficiente
para demonstrar a comunidade seriedade, técnica e
profissionalismo. Com o tempo os interesseiros ou os “QSA 5”
são desmascarados e passam a ser criticados fortemente pela
sociedade. É preciso, portanto, ser honesto, transparente e
sincero nos seus atos;
c. Policiamento Comunitário não é anti-tecnologia – o
Policiamento Comunitário pode se beneficiar de novas
tecnologias que podem auxiliar a melhora do serviço e a
segurança dos policiais. Computadores, celulares, sistemas de
monitoramento, veículos com computadores, além de armamento
moderno (inclusive não letal) e coletes protetores fazem parte
da relação de equipamentos disponíveis e utilizáveis pelo policial
comunitário. Aquela idéia do policial comunitário “desarmado” é
pura mentira, pois até no Japão e Canadá os policiais andam
armados com equipamentos de ponta. No caso brasileiro a nossa
tecnologia muitas vezes é adaptada, ou seja, trabalhos muito
mais com criatividade do que com tecnologia. Isto com certeza
favorece o reconhecimento da comunidade local;
d. Policiamento Comunitário não é condescendente com o
Crime – os policiais comunitários respondem às chamadas e
fazem prisões como quaisquer outros policiais: são enérgicos e
agem dentro da lei com os marginais e os agressores da
sociedade. Contudo atuam próximos a sociedade orientando o
cidadão de bem, os jovens e buscam estabelecer ações
preventivas que busquem melhorar a qualidade de vida no local
onde trabalham. Parece utópico, mas inúmeros policiais já vem
adotando o comportamento preventivo com resultados
excepcionais. Outro ponto importante é que como está próximo
da comunidade, o policial comunitário também é uma fonte de
informações para a polícia de investigação (Polícia Civil) e para
as forças táticas, quando forem necessárias ações repressivas
ou de estabelecimento da ordem pública;
e. Policiamento Comunitário não é espalhafatoso e nem camisa
“10” – as ações dramáticas narradas na mídia não podem fazer
parte do dia a dia do policial comunitário. Ele deve ser humilde e
sincero nos seus propósitos. Nada pode ser feito para aparecer
ou se sobressair sobre seus colegas de profissão. Ao contrário,
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SENASP
ele deve contribuir com o trabalho de seus companheiros, seja
ele do motorizado, a pé, trânsito, bombeiro, civil, etc. O
Policiamento Comunitário deve ser uma referência a todos, polícia
ou comunidade. Afinal, ninguém gosta de ser tratado por um
médico desconhecido, ou levar seu carro em um mecânico
estranho;
f. Policiamento Comunitário não é paternalista – não privilegia
os mais ricos ou os “mais amigos da polícia”, mas procura dar
um senso de justiça e transparência à ação policial. Nas situações
impróprias deverá estar sempre ao lado da justiça, da lei e dos
interesses da comunidade. Deve sempre priorizar o coletivo em
detrimento dos interesses pessoais de alguns membros da
comunidade local;
g. Policiamento Comunitário não é uma modalidade ou uma
ação especializada isolada dentro da Instituição – os policiais
comunitários não devem ser exceção dentro da organização
policial, mas integrados e participantes de todos os processos
desenvolvidos na unidade. São parte sim de uma grande
estratégia organizacional, sendo uma importante referência para
todas as ações desenvolvidas pela Polícia Militar. O perfil desse
profissional é também o de aproximação e paciência, com
capacidade de ouvir, orientar e participar das decisões
comunitárias, sem perder a qualidade de policial militar forjado
para servir e proteger a sociedade;
h. Policiamento Comunitário não é uma Perfumaria – o policial
comunitário lida com os principais problemas locais: drogas,
roubos e crimes graves que afetam diretamente a sensação de
segurança. Portanto seu principal papel, além de melhorar a
imagem da polícia, é o de ser um interlocutor da solução de
problemas, inclusive participando do encaminhamento de
problemas que podem interferir diretamente na melhoria do
serviço policial (uma rua mal iluminada, horário de saída de
estudantes diferenciado, etc);
i. Policiamento Comunitário não pode ser um enfoque de cima
para baixo – as iniciativas do Policiamento Comunitário começam
com o policial de serviço. Assim admite-se compartilhar poder e
autoridade com o subordinado, pois no seu ambiente de trabalho
ele deve ser respeitado pela sua competência e conhecimento.
Contudo o policial comunitário também adquire mais
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SENASP
responsabilidade já que seus atos serão prestigiados ou cobrados
pela comunidade e seus superiores;
j. Policiamento Comunitário não é uma fórmula mágica ou
panacéia – o Policiamento Comunitário não pode ser visto como
a solução para os problemas de insegurança pública, mas uma
forma de facilitar a aproximação da comunidade favorecendo a
participação e demonstrando a sociedade que grande parte da
solução dos problemas de insegurança dependem da própria
sociedade. Sabemos que a filosofia de Polícia Comunitária não
pode ser imediatista, pois depende da reeducação da polícia e
dos próprios cidadãos que devem ver a polícia como uma
instituição que participa do dia a dia coletivo e não simples
guardas patrimoniais ou “cães de guarda”;
k. O Policiamento Comunitário não deve favorecer ricos e
poderosos – a participação social da polícia deve ser em
qualquer nível social: os mais carentes, os mais humildes, que
residem em periferia ou em áreas menos nobres. Talvez nestas
localidades é que está o grande desafio da Polícia Comunitária.
Com certeza os mais ricos e poderosos tem mais facilidade em
ter segurança particular;
l. Policiamento Comunitário não é uma simples edificação –
construir ou reformar prédios da Polícia não significa implantação
de Polícia Comunitária. A Polícia Comunitária depende
diretamente do profissional que acredita e pratica esta filosofia
muitas vezes com recursos mínimos e em comunidades carentes;
m. Policiamento Comunitário não pode ser interpretado como
um instrumento político-partidário mas uma estratégia da
Corporação – muitos acham que acabou o Governo “acabou a
moda”, pois vem outro governante e cria outra coisa. Talvez isto
seja próprio de organizações não tradicionais ou temporárias. A
Polícia Comunitária além de filosofia é também um tipo de
ideologia policial aplicada em todo o mundo, inclusive em países
pobres com características semelhantes às do Brasil. Portanto,
talvez seja uma roupagem para práticas positivas antigas. Afinal,
o que foi que esquecemos?
n. A natureza do policial sempre foi comunitária. Nascida ao
início do século 20 com o objetivo de proteger o cidadão de bem
dos malfeitores, anos depois, ao final deste mesmo século, se

busca este retorno as origens.

Observo que muita gente que não sabe o que é Polícia Comunitária fica por aí espalhando impressões limitadas, verdadeiras lendas que só atrapalham a chegada a um consenso que nos ajude a trabalhar na prática os conceitos corretos.

Para elucidar alguns pontos, proponho a leitura do seguinte trecho do livro “Policiamento Comunitário: Como Começar” de Robert Trojanowicz:

a. Policiamento Comunitário não é uma tática, nem um programa e nem uma técnica – não é um esforço limitado para ser tentado e depois abandonado, e sim um novo modo de oferecer o serviço policial à comunidade;

b. Policiamento Comunitário não é apenas relações públicas – a melhoria das relações com a comunidade é necessária porém não é o objetivo principal, pois apenas o “QSA” não é suficiente para demonstrar a comunidade seriedade, técnica e profissionalismo. Com o tempo os interesseiros ou os “QSA 5” são desmascarados e passam a ser criticados fortemente pela sociedade. É preciso, portanto, ser honesto, transparente e sincero nos seus atos;

c. Policiamento Comunitário não é anti-tecnologia – o Policiamento Comunitário pode se beneficiar de novas tecnologias que podem auxiliar a melhora do serviço e a segurança dos policiais. Computadores, celulares, sistemas de monitoramento, veículos com computadores, além de armamento moderno (inclusive não letal) e coletes protetores fazem parte da relação de equipamentos disponíveis e utilizáveis pelo policial comunitário. Aquela idéia do policial comunitário “desarmado” é pura mentira, pois até no Japão e Canadá os policiais andam armados com equipamentos de ponta. No caso brasileiro a nossa tecnologia muitas vezes é adaptada, ou seja, trabalhos muito mais com criatividade do que com tecnologia. Isto com certeza favorece o reconhecimento da comunidade local;

d. Policiamento Comunitário não é condescendente com o Crime – os policiais comunitários respondem às chamadas e fazem prisões como quaisquer outros policiais: são enérgicos e agem dentro da lei com os marginais e os agressores da sociedade. Contudo atuam próximos a sociedade orientando o cidadão de bem, os jovens e buscam estabelecer ações preventivas que busquem melhorar a qualidade de vida no local onde trabalham. Parece utópico, mas inúmeros policiais já vem adotando o comportamento preventivo com resultados excepcionais. Outro ponto importante é que como está próximo da comunidade, o policial comunitário também é uma fonte de informações para a polícia de investigação (Polícia Civil) e para as forças táticas, quando forem necessárias ações repressivas ou de estabelecimento da ordem pública;

e. Policiamento Comunitário não é espalhafatoso e nem camisa “10” – as ações dramáticas narradas na mídia não podem fazer parte do dia a dia do policial comunitário. Ele deve ser humilde e sincero nos seus propósitos. Nada pode ser feito para aparecer ou se sobressair sobre seus colegas de profissão. Ao contrário, ele deve contribuir com o trabalho de seus companheiros, seja ele do motorizado, a pé, trânsito, bombeiro, civil, etc. O Policiamento Comunitário deve ser uma referência a todos, polícia ou comunidade. Afinal, ninguém gosta de ser tratado por um médico desconhecido, ou levar seu carro em um mecânico estranho;

f. Policiamento Comunitário não é paternalista – não privilegia os mais ricos ou os “mais amigos da polícia”, mas procura dar um senso de justiça e transparência à ação policial. Nas situações impróprias deverá estar sempre ao lado da justiça, da lei e dos interesses da comunidade. Deve sempre priorizar o coletivo em detrimento dos interesses pessoais de alguns membros da comunidade local;

g. Policiamento Comunitário não é uma modalidade ou uma ação especializada isolada dentro da Instituição – os policiais comunitários não devem ser exceção dentro da organização policial, mas integrados e participantes de todos os processos desenvolvidos na unidade. São parte sim de uma grande estratégia organizacional, sendo uma importante referência para todas as ações desenvolvidas pela Polícia Militar. O perfil desse profissional é também o de aproximação e paciência, com capacidade de ouvir, orientar e participar das decisões comunitárias, sem perder a qualidade de policial militar forjado para servir e proteger a sociedade;

h. Policiamento Comunitário não é uma Perfumaria – o policial comunitário lida com os principais problemas locais: drogas, roubos e crimes graves que afetam diretamente a sensação de segurança. Portanto seu principal papel, além de melhorar a imagem da polícia, é o de ser um interlocutor da solução de problemas, inclusive participando do encaminhamento de problemas que podem interferir diretamente na melhoria do serviço policial (uma rua mal iluminada, horário de saída de estudantes diferenciado, etc);

i. Policiamento Comunitário não pode ser um enfoque de cima para baixo – as iniciativas do Policiamento Comunitário começam com o policial de serviço. Assim admite-se compartilhar poder e autoridade com o subordinado, pois no seu ambiente de trabalho ele deve ser respeitado pela sua competência e conhecimento. Contudo o policial comunitário também adquire mais responsabilidade já que seus atos serão prestigiados ou cobrados pela comunidade e seus superiores;

j. Policiamento Comunitário não é uma fórmula mágica ou panacéia – o Policiamento Comunitário não pode ser visto como a solução para os problemas de insegurança pública, mas uma forma de facilitar a aproximação da comunidade favorecendo a participação e demonstrando a sociedade que grande parte da solução dos problemas de insegurança dependem da própria sociedade. Sabemos que a filosofia de Polícia Comunitária não pode ser imediatista, pois depende da reeducação da polícia e dos próprios cidadãos que devem ver a polícia como uma instituição que participa do dia a dia coletivo e não simples guardas patrimoniais ou “cães de guarda”;

k. O Policiamento Comunitário não deve favorecer ricos e poderosos – a participação social da polícia deve ser em qualquer nível social: os mais carentes, os mais humildes, que residem em periferia ou em áreas menos nobres. Talvez nestas localidades é que está o grande desafio da Polícia Comunitária. Com certeza os mais ricos e poderosos tem mais facilidade em ter segurança particular;

l. Policiamento Comunitário não é uma simples edificação – construir ou reformar prédios da Polícia não significa implantação de Polícia Comunitária. A Polícia Comunitária depende diretamente do profissional que acredita e pratica esta filosofia muitas vezes com recursos mínimos e em comunidades carentes;

m. Policiamento Comunitário não pode ser interpretado como um instrumento político-partidário mas uma estratégia da Corporação – muitos acham que acabou o Governo “acabou a moda”, pois vem outro governante e cria outra coisa. Talvez isto seja próprio de organizações não tradicionais ou temporárias. A Polícia Comunitária além de filosofia é também um tipo de ideologia policial aplicada em todo o mundo, inclusive em países pobres com características semelhantes às do Brasil. Portanto, talvez seja uma roupagem para práticas positivas antigas. Afinal, o que foi que esquecemos?

n. A natureza do policial sempre foi comunitária. Nascida ao início do século 20 com o objetivo de proteger o cidadão de bem dos malfeitores, anos depois, ao final deste mesmo século, se busca este retorno as origens.

apenas um comentário

  1. Marcílio Reis on

    Parabêns , a revolução cultural da polícia tem como ponto de partida, de maneira indiscutível, a conscientização. É urgente a necessidade de que os nossos policiais se conscientize como verdadeiros cidadãos participativos . É necessário que os policiais constantemente estejam ” sedentos” em adquirir conhecimentos e assumam o compromisso em, assim como a parábola do beija-flor, contribuir para formamos uma sociedade mais segura. Os treze pontos neste tópico, desmistificando o Policiamento Comunitário certamente foi extremamente importante. O Policiamento comunitário para alguns é utopia , mas sabemos que as grandes mudanças na história da humanidade foram precedidas dessas ditas ” utopias”. Devemos ter alguma perpectiva a fim de mudar o cenário atual de policiamento ineficaz. E o Policiamento Comunitário é oportuno e conveniente. Vale a pena tentar.

    ” Valeu a pena ê, ê, valeu a pena ê, ê, pescador de ilusões”
    Trecho da música ” pescador de ilusões” do Rappa


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